Semana Santa em nossa paróquia

Domingo de Ramos

“Nós também saudamos a Jesus com tantas ‘hosanas’, mas na primeira oportunidade da nossa vida, nós também gritamos: ‘crucifica-o!’. […] Todas as vezes que nós agimos de forma egoísta, todas as vezes que nós agimos a bel prazer, deixando que a ganância, o poder, a autossuficiência, a valorização das coisas, quando nós não somos a favor da vida, quando nós nos dizemos cristãos e boicotamos a Igreja de Jesus Cristo, gritamos: ‘crucifica-o!’.”

Pe. Frei Marlom Francis de Souza Moreira, OCarm.

Santa Missa de 07h30 neste domingo de Ramos.

Na noite deste domingo, 28 de março, o Revmo. Sr. Pe. Claudir, pároco de Sant’Ana, presidiu solenemente a bênção de ramos e a celebração eucarística. Concelebrou e proferiu a homilia, o Revmo. Sr. Pe. Frei Marlom Francis de Souza Moreira, reitor do seminário de teologia do covento do Carmo em São Paulo.

Segunda-Feira Santa

Nesta segunda-feira santa, realizou-se na Igreja Matriz a Santa Missa que foi presidida pelo Pe. Claudir Possa Trindade. Após a celebração, o pároco de Sant’Ana oficiou as orações ao Senhor Bom Jesus dos Passos.

Em sua homilia, Pe. Claudir, amparado pelo evangelho do dia e pelo contexto da pandemia, destacou a imprescindibilidade do cristão em sempre vivenciar uma convivência fraterna e justa com o outro. “Em nossa caminhada como cristãos, como filhos e filhas de Deus, somos chamados a não olhar somente para os nossos interesses pessoais, mas somos chamados a olharmos para as necessidades de toda humanidade”.

Durante o dia, alguns fiéis visitaram a Igreja Matriz que, ao som de marchas dos passos, rezaram diante da veneranda imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos e levaram consigo as tradicionais ervas de cheiro cujos odores, costumeiramente, remetem às celebrações da semana santa.

Terça – Feira Santa

Nesta terça-feira Santa, os paroquianos de Sant’Ana devotaram à Senhora das Dores suas prementes preces.

Ao longo do dia, fiéis acorreram ao altar que fora preparado para a Virgem dolorosa, lugar este que se tornou palco onde os olhares aflitos da Virgem cruzavam com os olhares pedintes de seus devotos.

No prelúdio da noite, fez-se ouvir, na Igreja Matriz, as “ave-Marias” que, em coro dos auxiliares da liturgia, recitavam com piedade a oração do terço que, por vezes, fora pedido pela Mãe de Deus em suas correntes aparições ao longo da história.

Após o exercício de tal piedade popular, deu-se início o Santo Sacrifício da Missa presidida pelo Revmo. Sr. Pe. Frei Marlom Francis de Souza Moreira, OCarm. Tendo concedida a bênção final, o Frei carmelita se dirigiu à imagem bendita da Senhora das Dores e oficiou as orações àquela que gerou em seu ventre o Filho de Deus.

Quarta-Feira

Mais uma vez, a representação do comovente encontro de Cristo com sua Mãe Santíssima à caminho do calvário é vivenciada nesta quarta-feira santa em Barroso.

Dentre tantos acontecimentos que marcam nosso calendário celebrativo, realizamos há mais de um século, na paróquia de Sant’Ana, a reflexão e procissão do encontro. Sempre repleta de fiéis, essa é a segunda vez que o memorável encontro de Jesus e Maria se realiza no interior da Igreja Matriz, que com as portas fechadas faz ecoar no silêncio e vazio, o que outrora já se pôde vivenciar em praça pública.

No entanto, o comovente sermão, que sempre teve seu lugar neste dia, não deixou de acontecer, e chegara aos fiéis pelos meios de comunicação que, ultimamente, se tornaram importantes instrumentos de evangelização no mundo todo.

O Revmo. Sr. Pe. Frei Marlom Francis de Souza Moreira, OCarm., filho da Paróquia, ocupou a tribuna sacra e contextualizou com um belo e pertinente sermão aquilo que a tradição da Igreja venera e ensina na 4° estação da Via Sacra: o tocante momento em que Maria se depara com seu Divino Filho com a cruz às costas.

Pela manhã até o fim da tarde, aqueles que adentraram à Igreja-mãe desta cidade, puderam contemplar as sacras imagens do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores – que há anos se venera nesta Paróquia – posicionadas de modo a simular aquilo que se celebraria à noite.

Nas mãos do Bom Jesus, o protagonista da salvação, orquídeas perfumadas adornavam sua expressiva imagem, substancializando, assim, o nosso desejo de desagravo e reparação aos pecados cometidos pela humanidade que, por sua vez, se materializaram no patíbulo da cruz.

Como não se emocionar ao admirar e imaginar uma cena tão cruel e ao mesmo tempo tão repleta de amor, carregada de paradigmas?

É certo que o sofrimento nos abate e nos tira o chão, mas uma presença afetuosa, nos embala e nos dá forças para seguirmos adiante as inevitáveis vias dolorosas.

Com o Mestre Jesus, o Senhor dos Passos, aprendemos a necessidade de não nos entregarmos à um vitimismo que nos estaciona nos sofrimentos, mas nos mostra que devemos continuar dando passos no mundo, seguindo sempre as pegadas da redenção. Já com Maria, a Mãe das dores, compreendemos que não estamos sozinhos e que não devemos deixar sozinhos os nossos irmãos e irmãs, sobretudo em suas dificuldades, pois uma presença amiga será sempre um combustível que nos encoraja a encarar a vida com suas peripécias.

Continuemos, pois, seguindo, com Cristo e sua Mãe, o caminho terreno do calvário no qual se encontra a porta para as veredas da eternidade.

Quinta-Feira Santa

Em comunhão com toda a Igreja, a Paróquia de Sant’Ana celebrou com dignidade, em sua Igreja Matriz, a Santa Missa da Ceia do Senhor.

A cor branca estampada nas alfaias sagradas e vestes litúrgicas, além das flores dispostas no altar anunciavam a alegria daquela celebração na qual comemorou-se a instituição da Eucaristia e o ministério sacerdotal. O toque dos sinos e o canto do Glória, a quatro vozes, rompia, por um momento, o sentimento penitente iniciado ainda na quaresma.

Dentre os mistérios celebrados, a liturgia evidenciou também a caridade fraterna expressa por Jesus ao lavar os pés dos discípulos. Tal ato, embora omitido enquanto cerimônia litúrgica por razões pastorais, fora mencionado pelo vigário paroquial durante a homilia.

Ao longo da celebração, através dos ritos consecutivos, fomos sendo conduzidos a memorar a dramática efetivação do plano da salvação.

Após a comunhão eucarística, o Santíssimo Sacramento foi transladado para a capela da reposição ao som atordoante das matracas que calara as festividades dos sinos já no momento da epliclese. Ricamente ornada com flores e velas, esta capela nos remete o Jardim das Oliveiras, onde Nosso Senhor convida os seus a vigiar e orar, pois é chegada a hora de sua Paixão e Morte.

No retorno dos sacerdotes ao presbitério, a penumbra já manifestava o primeiro sentimento de recolhimento. Os altares foram desnudados como sinal de luto e o silêncio tomou conta do templo.

Celebração da Paixão

“A Sexta-Feira Santa é o dia em que revivemos a Paixão, Crucifixão e Morte de Jesus. Neste dia, a liturgia da Igreja não prevê a celebração da Santa Missa, mas a assembleia cristã reúne-se para meditar o grande mistério do mal e do pecado que oprimem a humanidade, para repercorrer, à luz da Palavra de Deus e ajudada por comoventes gestos litúrgicos, os padecimentos do Senhor em expiação deste mal.” (Homiliário de Bento XVI)

06h00 da manhã e as portas da gótica Igreja Matriz, cartão postal da cidade, se abrem para os fiéis.

No seu interior o respeito e o silêncio tomam conta do espaço sagrado.

À capela lateral acorrem os fiéis ao longo da manhã para rezar junto à reserva eucarística, a comunhão dos pré-santificados. A capela da reposição se destaca em relação aos altares nús do presbitério. Nela, as chamas das velas fumegam e, bailando, parecem estremecer por estarem tão próximas do Filho de Deus, sinalizando sua presença sacramental e como se estivesse aquecendo-o no dia tempestuoso de sua Paixão. As inúmeras flores, em suas múltiplas cores e formas, assentadas ao corredor e altar, perfumam, dão vida e entretém onde o sentimento de consternação paira no ar.

É chegada a tarde e as grandes portas arqueadas de madeira se fecham.

Às 15h00, vê-se aos pés do presbitério os sacerdotes prostrados ao chão em reverência ao horário da redenção.

Com paramentos vermelhos que expressam o sangue derramado por Cristo em seu martírio, deu-se continuidade à grande celebração que fora iniciada na noite anterior.

A narração dialogada da Paixão relata detalhadamente o dramático desenrolar da morte que trouxe vida. As respostas cantadas pelo coro e participantes limitados introduzia-nos nas cenas contadas e fazia-nos sentir na pele as injustiças sofridas pelo Messias.

A homilia aponta o pecado como o verdadeiro algoz das atrocidades cometidas, e desvela o pecador como o principal motivo pelo qual Jesus mostrou interesse em cumprir o projeto divino.

Na 2° parte do rito, fomos convidamos a orar, e mais uma vez, como no ano passado, uma nova oração é acrescida em meio as preces já tradicionais inscritas no Missal Romano: “pelas vítimas da atual pandemia”.

Em meio às sombras e luz do sol da tarde filtrada pelos belos e coloridos vitrais, surge o sinal da nossa salvação: a cruz de Cristo, que ao entoar solene do coro é desvelada para que mais este ano a contemplemos simplesmente com o olhar. Vinde, adoremos!

Após tal contemplação, na liturgia dá-se lugar ao rito da comunhão, onde o Pão consagrado vem alentar a nossa vida e toda a Igreja. O Cordeiro sem beleza que hoje celebramos, mais uma vez, se dignou fazer alimento para a nossa salvação.

Infelizmente, alguns poucos comungam sacramentalmente. Todavia, temos a certeza de que Ele está no meio de nós.

Ao terminar a comunhão, a igreja voltou ao silêncio fúnebre e à escuridão mórbida, atualizando a morte do Senhor e aguardando sua gloriosa ressurreição.

Sermão do Descendimento da Cruz

“A lição que Cristo dá a seus apóstolos no dia de hoje é uma lição que não devemos esquecer. Não podemos fazer dessa celebração uma mera encenação, como se ela fosse um teatro.” (Liturgia da Palavra II, Padre José Carlos Pereira)

Tendo como um de seus pontos altos o Sermão do Descendimento da Cruz, “devemos orientar decididamente nossa vida para uma adesão generosa e convicta aos desígnios do Pai Celeste; renovemos o nosso sim à Vontade divina como fez Jesus com o Sacrifício da Cruz”. (Homiliário de Bento XVI)

Historicamente, a participação dos fiéis no Sermão do Descendimento da Cruz é o momento que propicia uma das maiores reuniões de pessoas em nossa cidade. Sempre marcada por sermões encarnados na vida do povo, nesse ano, assim como no ano passado, a participação popular se deu de forma remota, através dos meios de comunicação. Articulado por alegorismos divinamente inspirados e forte carga teológica, em 2021, a Paróquia de Sant’Ana contou com o serviço para-litúrgico do Revmo. Sr. Padre Vinícius Campos, filho desta terra, que, ocupando a tribuna sacra, nos conduziu por imersão à compreensão do mistério salvífico da Cruz.

No altar central da Igreja Matriz, se levantou o penhor da salvação. A tocante imagem do crucificado foi ladeada pelas representações do bom e do mal ladrão, além daquela que esteve de pé aos pés da cruz, a Santíssima Virgem, Senhora das Dores, como nos narra os evangelhos.

Ao som majestoso e lastimoso da banda de música municipal, deu-se início o esperado sermão. A Igreja vazia foi o Gólgota no qual a voz do pregador ecoou e alcançou milhares de corações que acompanhavam atentamente pelos meios de comunicação.

Como de costume, os objetos que sinalizam a aparente derrota de Cristo são retirados da cruz: a placa com a inscrição que trouxera o motivo da condenação de Jesus, a coroa de espinhos que serviu de escárnio para os algozes, e os pregos que cravaram no lenho o corpo humano do Divino Redentor. Por fim, os olhares atentos focavam a imagem do corpo sem vida de Jesus. Tal imagem é descida e depositada no esquife que traz consigo orquídeas, hortênsias e ervas de cheiro para repousar o “Senhor morto”.

As palavras finais do pregador remontaram-nos à ilustre figura do saudoso e ex pároco, Pe. Fábio José Damasceno, que por várias vezes ocupou aquele mesmo púlpito em suas diversas pregações. Tal memória embargou a voz do pregador e emocionou a tantos que atenciosamente o escutavam.

Ao canto choroso “O vos omnes” de Verônica, se confirma mais uma vez: Quae consummatum est – tudo está consumado! (João 19, 30).

Intacta permanece a cruz, não como sinal de derrota, mas como estandarte da salvação.

Que as luzes do Espírito Santo possam internalizar toda a sabedoria celeste deste momento em nossos corações.

Sábado Santo

Após o silêncio sepulcral iniciado na última quinta a noite, a explosão de cores e luzes invadiu a Igreja Matriz de Sant’Ana.

Às 18h30, iniciava na porta central a Solene Vigília Pascal que anunciava a Ressurreição do Senhor.

À entronização do círio pascal, fomos guiados por sua luz ao Santo Altar, como outrora a coluna de fogo guiou o povo no deserto para a terra prometida.

Aos poucos, a luz apodera-se do templo. Por onde a luz de Cristo passa, novas luzes se acendem.

Ao entoar do Glória, os sinos tocam e prenunciam o solene e grande Aleluia cantado pelo coro.

O farol da cera virgem anuncia a nossa Fortaleza: a Luz dissipou as trevas, a vida venceu a morte.

A rica liturgia, repleta de belos ritos, revisitam desde a criação do mundo ao momento em que a pedra do túmulo do Redentor rolou.

É certo que a cerimônia encantou, deu voz e aparência a uma sentinela da grandeza da Glória de Deus.

Os que participaram presencialmente, ou remotamente, da Vigília Pascal viram e dão testemunho: Cristo vive! Cristo reina! Cristo impera! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Domingo da Ressurreição

Mais uma semana santa se encerra na Paróquia de Sant’Ana. Mesmo com as restrições impostas pela pandemia, as celebrações aconteceram e nos introduziram como num grande retiro espiritual que reavivou nossa fé.

A última Celebração Eucarística deste domingo de Páscoa foi precedida pelo canto do Te-Deum diante do Santíssimo Sacramento.

Dentre as intenções pelas quais rezamos, foi colocado diante do Altar do Senhor todos os que direta ou indiretamente ajudaram para que mais esta santa semana acontecesse.