Igreja no Mundo

QUEM ENCONTRA JESUS VIVO SENTE A NECESSIDADE DE CONTAR AOS OUTROS, DISSE O PAPA NO ANGELUS

“É uma união que se alimenta com a oração e também com a comunhão espiritual à Eucaristia, uma prática muito recomendada quando não é possível receber o sacramento. Isso eu digo para todos, especialmente para as pessoas que vivem sozinhas.”

Cidade do Vaticano

Confira a alocução do Santo Padre antes de rezar o Angelus neste III Domingo da Quaresma, da Biblioteca do Palácio Apostólico:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste momento está terminando em Milão a Missa que o senhor arcebispo celebra no Policlínica para doentes, os médicos, os enfermeiros, os voluntários.  O senhor arcebispo está próximo de seu povo e também próximo a Deus na oração. Me vem em mente a fotografia da semana passada, na cúpula da catedral, rezando a Nossa Senhora. Gostaria também de agradecer a todos os sacerdotes, à criatividade dos sacerdotes. Chegam tantas notícias da Lombardia sobre essa criatividade, é verdade, a Lombardia foi muito atingida. Sacerdotes que pensam mil maneiras de estar próximos do povo, para que o povo não se sinta abandonado, sacerdotes com o zelo apostólico que entenderam bem que em tempos de pandemia não se deve fazer “o padre Abbondio”. Muito obrigado a vocês, sacerdotes.

A passagem do Evangelho deste domingo, o terceiro da Quaresma, apresenta o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. Ele está a caminho com seus discípulos e fazem uma parada junto a um poço, em Samaria. Os samaritanos eram considerados heréticos pelos judeus, e muito desprezados, como cidadãos de segunda classe.. Jesus está cansado, tem sede. Chega uma mulher para tirar água e ele pede: “Dá-me de beber”. Assim, rompendo toda barreira, começa um diálogo em que revela a essa mulher o mistério da água viva, isto é, do Espírito Santo, dom de Deus. De fato, diante da reação de surpresa da mulher, Jesus responde: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.

No centro deste diálogo está a água. Por um lado, a água como elemento essencial para viver, que sacia a sede do corpo e sustenta a vida. Por outro, a água como símbolo da graça divina, que dá a vida eterna. Na tradição bíblica, Deus é a fonte da água viva – assim se fala nos salmos, nos profetas: afastar-se de Deus, fonte de água viva, e de sua lei, comporta a pior seca. É a experiência do povo de Israel no deserto. No longo caminho para a liberdade, sedento, protesta contra Moisés e contra Deus porque não há água. Então, por desejo de Deus, Moisés faz brotar água de uma rocha, como sinal da Providência de Deus que acompanha seu povo e lhe dá a vida.

E o apóstolo Paulo interpreta essa rocha como um símbolo de Cristo, dirá assim: “E a rocha é Cristo”. É a figura misteriosa figura de sua presença no meio do povo de Deus que caminha. Cristo, de fato, é o Templo do qual, segundo a visão dos profetas, jorra o Espírito Santo, istoé, a água viva que purifica e dá vida. Quem têm sede de salvação pode obtê-la gratuitamente de Jesus, e o Espírito Santo se tornará nele ou nela uma fonte de vida plena e eterna.

A promessa da água viva que Jesus fez à mulher samaritana tornou-se realidade em sua Páscoa: “do lado transpassado, saiu sangue e água”. Cristo, o Cordeiro imolado e ressuscitado, é a fonte da qual brota o Espírito Santo, que perdoa pecados e se regenera para uma nova vida.

Este dom também é a fonte do testemunho. Como a samaritana, quem quer que encontre Jesus vivo sente a necessidade de contar aos outros, para que todos confessem que Jesus “é verdadeiramente o Salvador do mundo”, como disseram depois os conterrâneos dessa mulher.

Também nós, nascidos para uma vida nova mediante o Batismo, somos chamados a testemunhar a vida e a esperança que há em nós. Se nossa busca e nossa sede encontram plena satisfação em Cristo, mostraremos que a salvação não está nas “coisas” deste mundo, que no final produzem seca, mas naquele que nos amou e sempre nos ama: Jesus, nosso Salvador, na água viva que Elenos oferece.

Que Maria Santíssima nos ajude a cultivar o desejo de Cristo, a fonte de água viva, o único que pode saciar a sede de vida e de amor que carregamos no coração.

Com informações do Vatican News

Paróquia de Sant'Ana do Barroso
Criada por provisão episcopal de 17 de janeiro de 1884. Foi fundada por Antônio da Costa Nogueira em 1729.