Igreja no Mundo

Papa: confiança inabalável em Deus permite aceitar situações incompreensíveis

São José, homem manso e sábio , esteve ao centro da alocução do Papa Francisco antes de rezar o Angelus neste IV Domingo de Advento. Seu exemplo, nos exorta a elevar o olhar, procurando ver além, recuperando assim surpreendente lógica de Deus que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Cristo e à Sua Palavra.

Cidade do Vaticano

Confira a íntegra da reflexão do Santo Padre no Angelus deste IV Domingo de Advento

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste quarto e último domingo de Advento, o Evangelho nos guia para o Natal por meio da experiência de São José, uma figura aparentemente secundária, mas em cuja atitude está encerrada toda a sabedoria cristã.

Ele, junto com João Batista e Maria, é um dos personagens que a liturgia nos propõe para o Tempo do Advento; e dos três, é o mais modesto. Alguém que não prega, não fala, mas busca fazer a vontade de Deus; e a cumpre no estilo do Evangelho e das Bem-aventuranças. Pensemos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

E José é pobre porque vive do essencial, trabalha, vive do trabalho; é a pobreza típica daqueles que tem consciência de depender totalmente de Deus e nele depositam toda sua confiança.

A narrativa do Evangelho de hoje apresenta uma situação humanamente embaraçante e contrastante. José e Maria estão prometidos como esposos; ainda não vivem juntos, mas ela espera um filho por obra de Deus. José, diante dessa surpresa, naturalmente fica perturbado, mas, ao invés de reagir de maneira impulsiva e punitiva – como se costumava fazer, a lei o protegia – busca uma solução que respeite a dignidade e a integridade de sua amada Maria.

Diz assim o Evangelho: “José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo”. José, de fato, bem sabia que, se tivesse denunciado sua prometida esposa, a teria exposta a sérias consequências, até mesmo à morte. Ele tem total confiança em Maria, a quem ele escolheu como esposa. Não entende mas busca outra solução.

Essa inexplicável circunstância o leva a questionar sua ligação; assim, com grande sofrimento, decide se separar de Maria sem criar escândalo. Mas o anjo do Senhor intervém para lhe dizer que a solução que ele propõe não é a desejada por Deus. Antes pelo contrário, o Senhor abre a ele um novo caminho, um caminho de união, de amor e de felicidade e diz a ele: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.”

A este ponto, José confia totalmente em Deus, obedece às palavras do anjo e toma consigo Maria. Precisamente essa confiança inabalável em Deus permitiu a ele aceitar uma situação humanamente difícil e, em certo sentido, incompreensível.

José entende, na fé, que a criança gerada no ventre de Maria não é seu filho, mas é o Filho de Deus e ele, José, será seu protetor, assumindo plenamente sua paternidade terrena. O exemplo desse homem manso e sábio nos exorta a elevar o olhar, procurando ver além. Trata-se de resgatar a surpreendente lógica de Deus que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Cristo e à Sua Palavra.

Que a Virgem Maria e seu casto esposo José nos ajudem a nos colocar à escuta de Jesus que vem e que pede para ser acolhido em nossos projetos e nas nossas escolhas.

Com informações do Vatican News

Paróquia de Sant'Ana do Barroso
Criada por provisão episcopal de 17 de janeiro de 1884. Foi fundada por Antônio da Costa Nogueira em 1729.