Cardeal Re na Missa da Ceia do Senhor: a Eucaristia é um apelo à abertura aos outros

“Esta celebração eucarística, carregada de uma extraordinária intensidade de sentimentos e pensamentos, nos faz reviver a noite quando Cristo, rodeado pelos Apóstolos no Cenáculo, instituiu a Eucaristia e o sacerdócio e nos confiou o mandamento do amor fraterno”, disse o purpurado em sua homilia.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re, celebrou a Missa da Ceia do Senhor, sem o tradicional rito do Lava-pés, na Basílica Vaticana, na tarde desta Quinta-feira Santa (01/04).

“Esta celebração eucarística, carregada de uma extraordinária intensidade de sentimentos e pensamentos, nos faz reviver a noite quando Cristo, rodeado pelos Apóstolos no Cenáculo, instituiu a Eucaristia e o sacerdócio e nos confiou o mandamento do amor fraterno“, disse o purpurado em sua homilia.                  

“Amou-os até o fim”. “Esta afirmação comovente significa que ele os amou até à sua morte na cruz no dia seguinte, na Sexta-feira Santa, mas também significa um amor ao extremo, ou seja, ao grau supremo e insuperável da capacidade de amar. A noite de Quinta-feira Santa nos lembra o quanto fomos amados; nos diz que o Filho de Deus, em seu afeto por nós, não nos deu algo, mas nos doou a si mesmo, seu Corpo e Sangue, ou seja, a totalidade de sua pessoa, e que, por nossa redenção, aceitou sofrer a mais ignominiosa morte, oferecendo-se como vítima”, frisou o cardeal Re.

A Eucaristia é o centro e o coração da vida da Igreja

Segundo o decano do Colégio Cardinalício, “a existência da Eucaristia só se explica porque Cristo nos amou e quis estar perto de cada um de nós durante todos os séculos, até o fim do mundo. Somente um Deus poderia conceber um dom tão grande e somente um poder e um amor infinitos poderiam implementá-lo”.

O purpurado recordou que “a Igreja sempre considerou o Sacramento da Eucaristia como o dom mais precioso com o qual ela foi enriquecida. É o dom pelo qual Cristo caminha conosco como luz, como força, como alimento, como apoio em todos os dias de nossa história”.

A Eucaristia é o centro e o coração da vida da Igreja. Deve ser também o centro e o coração da vida de cada cristão. Quem acredita na Eucaristia nunca se sente sozinho na vida. Ele sabe que na penumbra e no silêncio de todas as igrejas existe Alguém que conhece o seu nome e a sua história, Aquele que o ama, que o espera e que o escuta de boa vontade. Diante do tabernáculo cada um pode confiar o que tem no coração e receber conforto, força e paz de coração.

“A Eucaristia é uma realidade não só para se acreditar, mas para ser vivida. A Eucaristia é um apelo à abertura aos outros, ao amor fraterno, a saber perdoar e ajudar os que estão em dificuldade. É um convite à solidariedade, ao apoio mútuo, a não abandonar ninguém. É um apelo a um compromisso ativo com os pobres, os sofredores, os marginalizados. É uma luz para reconhecer o rosto de Cristo no rosto de nossos irmãos e irmãs, especialmente das pessoas feridas e necessitadas”, disse ainda o cardeal Re.

Instituição do sacerdócio católico

“O segundo mistério que recordamos esta noite é a instituição do sacerdócio católico”, frisou o purpurado.

Cristo, o verdadeiro sacerdote, disse aos Apóstolos: “Façam isto”, ou seja, o Sacramento da Eucaristia, “em memória de mim”. Três dias depois, na noite de Domingo de Páscoa, ele também disse aos Apóstolos: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados.” Desta forma, Cristo irradiou poderes sacerdotais sobre os Apóstolos, para que a Eucaristia e o Sacramento do Perdão continuassem sendo renovados na Igreja. Ele deu à humanidade um presente incomparável.

Um pequeno vírus colocou o mundo inteiro de joelhos

A seguir, o cardeal Re lembrou que “nas Quintas-feiras Santas dos anos anteriores, depois da missa da Ceia do Senhor, era uma tradição arraigada, prolongar a adoração da Eucaristia durante toda a noite com várias iniciativas de oração de adoração e momentos de grande intensidade religiosa”.

“A situação dramática criada pela Covid-19 e o risco de contágio infelizmente não nos permitem fazer isso este ano, como aconteceu no ano passado. Voltando para nossas casas, devemos continuar rezando com o pensamento e com o coração cheios de gratidão por Jesus Cristo, que quis permanecer presente entre nós como nosso contemporâneo sob os véus do pão e do vinho.”

Dele, que viveu na sua carne e na alma o sofrimento físico e a solidão queremos extrair a força de que precisamos, agora mais do que nunca, para enfrentar os grandes desafios desta pandemia que está causando milhares de vítimas todos os dias em todo o planeta. Experimentamos de uma forma universal como um pequeno vírus pode colocar o mundo inteiro de joelhos. Para que tenha fim esse drama, devemos recorrer a todos os meios humanos que a ciência coloca à nossa disposição, mas é necessário um passo a mais insubstituível: devemos elevar uma grande oração unânime para que a mão de Deus venha em nosso auxílio e ponha fim a esta situação trágica que tem consequências preocupantes nos campos da saúde, do trabalho, da economia, da educação e das relações diretas com as pessoas. 

Colocar um pouco de ordem na nossa vida

Em sua consideração final, o cardeal Re recordou que “a noite que vê a mais alta manifestação de amor e amizade por nós é também a noite da traição. Em torno da mesma mesa no Cenáculo, o amor de Deus e a traição do homem se confrontaram”.

“A Quinta-feira Santa é também um convite a tomar consciência dos próprios pecados. É um apelo a colocarmos um pouco de ordem na nossa vida e iniciarmos o caminho do arrependimento e da renovação para obter o perdão de Deus”, concluiu. 

Com informações do Vatican News